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Emoções, o que são e por que sentimos

Nesses tempos de pandemia e de relacionamentos interpessoais restritos nunca sentimos emoções tão intensas e ao mesmo tempo tão variadas. Mas o que são as emoções, por que as sentimos e para que elas servem? A proposta deste artigo é responder estas perguntas e clarear a compreensão desses recursos tão necessários e tão importantes para os seres humanos.

O que são as emoções?

A palavra emoção tem origem no latim: ex movere, que significa “mover para fora” ou “afastar-se”.

Emoções são sensações físicas e mentais provocadas por um estímulo que pode ser um pensamento, ou um acontecimento e que são vivenciadas de forma diferente por cada pessoa.

As emoções não são boas nem más, algumas podem ser mais agradáveis e outras mais desagradáveis, mas todas são fundamentalmente adaptativas, ou seja, nos orientam

para a sobrevivência. O papel das emoções é regular a nossa atenção, monitorando o ambiente para situações de relevância adaptativa e alertando a nossa consciência para essas situações.

O que são os sentimentos?

Os sentimentos são os resultados de uma experiência emocional. É a tomada de consciência das reações do corpo diante de um estímulo, uma racionalização da experiência emocional. Diferentemente das emoções, os sentimentos podem não ser passageiros e, em alguns casos, podem durar a vida toda.

A Neurobiologia das Emoções

O ser humano possui em seu cérebro uma estrutura chamada de sistema límbico, responsável pelas emoções e sentimentos. O sistema límbico, quando recebe um estímulo sensitivo (audição, paladar, visão, olfato ou tato), envia essas “informações” para o tálamo e para o  hipotálamo, que elaboram respostas aos estímulos através do sistema endócrino e do sistema nervoso autônomo. Automaticamente produzem repostas ativando esses sistemas, e então temos um estado, que são as emoções e sentimentos manifestos. Sistema límbico é o nome dado às estruturas cerebrais que coordenam o comportamento emocional e os impulsos motivacionais, e é formado O Complexo-R; A herança genética Reptilianapor diversas estruturas localizadas na base do cérebro.

A Neurobiologia das Emoções

Os sentimentos e emoções como amor, alegria, ódio, pavor, ira, paixão e tristeza tem origem no sistema límbico. Chama-se circuito de Papez a porção do sistema límbico relacionada às emoções e seus estereótipos comportamentais.

Revendo a forma de lidar com as emoções

As emoções são fundamentais para avaliarmos, significarmos e sentirmos a vida. É através das emoções que podemos definir se algo é bom ou ruim, alegre ou triste, calmo ou agitado, ameaçador ou seguro etc. Sem as emoções nós não seriamos o que somos, não teríamos a capacidade de amar, colaborar, relacionar, entristecer, alegrar etc.

Então, precisamos dar uma parada para reavaliarmos como temos lidado com as nossas emoções. Temos nos permitido sentir algumas mas nos proibido de sentir outras? Essa pergunta é importante! As emoções não existem para serem reprimidas, por mais difíceis e desconfortáveis que elas sejam, elas precisam serem identificadas, sentidas e liberadas. Se nós as evitamos, elas não vão embora. Elas ficam guardadas internamente e vão se acumulando até que uma hora não cabendo mais, elas surgem em forma de explosão ou de implosão. Quando explodem elas nos leva a ter atitudes impulsivas e precipitadas onde na maior parte das vezes é grande a chance de magoarmos alguém ou de tomarmos decisões precipitadas que serão geradoras de problemas imediatos ou futuros. E quando implodimos, nos machucamos, pois elas (emoções) são descarregadas no nosso corpo e irão provocar várias consequências desde tensões musculares até doenças psicossomáticas.

Então lembrem-se, não existe emoção feia, não existe emoção ruim, não existe emoção proibida. Pode existir emoção desconfortável, mas, todas elas são importantes e fundamentais que possamos viver com plenitude as nossas vidas.

Pense nisso! Por mais que você tenha aprendido que deveria esconder ou evitar certas emoções, você precisa parar de fazer isso. Você precisa rever a sua forma de lidar com as suas emoções. Cada uma delas tem uma razão de ser. Cada uma delas tem uma função. Aprenda a lidar com elas e tenha uma vida mais rica em experiências e significados.  

  As emoções básicas

Eric Berne diferenciou as emoções em dois tipos: as emoções autênticas e as emoções disfarces. As emoções autênticas, ou básicas são as que possuem função vital de sobrevivência individual e continuação da espécie, sendo estas resumidas em número de cinco. São elas: amor-afeto, alegria, tristeza, medo e raiva. As emoções disfarces, foram desenvolvidas na infância pela impossibilidade de expressão das emoções autênticas. Cada uma das cinco emoções autênticas manifesta-se independentemente das demais, sendo elas excludentes entre si. Assim, não seria possível sentir, por exemplo, medo e tristeza ao mesmo tempo, pois uma emoção excluiria a outra. Contudo, algumas vezes ocorre um rápido trânsito entre uma e outra emoção, o que pode dar a impressão de que várias emoções são vivenciadas simultaneamente, quando na realidade, são vivenciadas sequencialmente.

Os componentes físicos das emoções

A relação entre nosso corpo e as nossas emoções é uma relação de profunda intimidade. Os efeitos de um sobre o outro é direto. Entendermos isso irá nos ajudar muito no desenvolvimento da nossa capacidade de gerenciamento emocional.

Cada emoção gera uma reação física no nosso corpo. Se você observar vai perceber que quando você está com raiva ou com medo o seu corpo fica tenso. As suas mãos ficam apertadas, suas mandíbulas se contraem, os músculos dos ombros e do pescoço ficam enrijecidos e a respiração se torna curta e rápida.

Quando estamos alegres podemos perceber um relaxamento prazeroso no nosso corpo além do visível sorriso no rosto, expansão do peito, abertura corporal, etc.

A tristeza que tem como função nos ajudar a lidar com as nossas perdas e os nossos lutos se expressa em forma lágrimas, soluços, sensação de pressão no peito, respiração irregular, pouco apetite, etc. 

Se observarmos com cuidado as nossas emoções, poderemos perceber a comunicação entre elas e o nosso corpo. Identificaremos as emoções associadas aos sintomas físicos e aprenderemos a administrá-las para que não se transformem em dores físicas ou doenças psicossomáticas.

As funções das emoções

As emoções têm duas funções biológicas: a primeira é produzir uma reação específica para a situação que a provoca e a segunda função é de homeostase. Isso está relacionado ao equilíbrio, regulando o estado interno do organismo, visando essa reação específica. As emoções são a forma que a natureza encontrou para proporcionar aos organismos comportamentos rápidos e eficazes orientados para a sua sobrevivência.

As emoções cumprem funções de grande importância. Dentre elas:

  • Nos prepara e nos motiva para ações;
  • Nos possibilita avaliar os estímulos do ambiente de maneira extremamente rápida,
  • Nos ajuda no controle das nossas relações sociais;
  • Nos permite trocar formas típicas de expressão que indicam aos outros as nossas intenções e vice-versa.

Os aspectos subjetivos das emoções

As emoções estão presentes em nossas vidas desde que somos concebidos. Já no útero materno os bebês demonstram reações emocionais a vários estímulos. Mas, apesar das emoções fazerem parte de todo ser humano, nem todos vão senti-las ou expressá-las da mesma maneira. A expressão e a experiência emocional estão muito associadas ao perfil e a história de vida de cada indivíduo. Têm pessoas que ao sentirem tristeza choram, desabafam, outros se recolhem e ficam isolados. Algumas pessoas quando sentem raiva explodem, xingam, outras engolem a raiva e fazem de conta que não aconteceu nada. Alguns quando sentem medo enfrentam o motivo do medo, outros se congelam, outros fogem. E assim acontece com todas as outras emoções.

Então, cada um na sua individualidade, vai expressar de formas diferentes as suas emoções. Mas, para que tenhamos uma vida saudável e natural precisamos tomar consciência delas identificando-as, nomeando-as e buscando uma forma de expressá-las da melhor maneira possível, sempre levando em consideração a importância disso para o nosso equilíbrio psicológico, para a assertividade das nossas decisões e para o enriquecimento das nossas relações interpessoais.

Sobre o autor

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